segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Vamos falar sobre cultura?


Ao contrário da importância que o tema da cultura costuma ter nos debates eleitorais e, pior ainda, ao longo das administrações públicas, este a ano a cultura está presente com destaque tanto nas propagandas políticas como nos debates entre os candidatos a prefeito de Vitória.

O tema não, a palavra. Porque os candidatos dizem que vão falar de Cultura, e desandam a falar de turismo, geração de emprego e renda, lazer e, expressão curinga da moda: economia criativa.

E lá vem também o samba de uma nota só sobre gestão cultural em Vitória: todos querem reformar a Lei Rubem Braga, como se Lei por si fosse a panaceia capaz de tratar todas as dificuldades e construir todas as soluções. Como mudar a Lei e para quê ninguém sabe, ninguém diz.

Como ninguém sabe e ninguém fala em política municipal de cultura. E isso é fundamental, porque as ações em cultura contribuem para gerar renda e tem relação com a economia criativa e o turismo, mas esses não são objetivo primordiais das políticas públicas de cultura. Ao menos, não devem ser.

A ação pública em cultura não é um meio para atingir outro objetivo, não pode ser tratada como um trampolim para alcançar metas e objetivos alheios ao próprio processo de fazer e viver a arte e a cultura.

De que forma a prefeitura vai se articular com a sociedade para garantir a autonomia necessária aos produtores culturais e as condições fundamentais para a realização da produção artística e cultural?

Quais as escolhas políticas e ações em relação a vida cultural em temas fundamentais como a diversidade cultural, a pluralidade, a equidade e a justiça social, por exemplo?

Quais indicadores serão utilizados para mensurar a atividade cultural e os resultados alcançados? Quais as metas a serem alcançadas em termos de hábitos de fruição artística, de vivência cultural e de produção artística?

Todas essas questões estão longe do discurso, dos olhos, do coração e das mentes dos candidatos. Eles, quando falam em cultura, estão pensando em outra coisa.

domingo, 25 de setembro de 2016

Façam suas apostas

A mais atípica das eleições, com regras que praticamente impedem a campanha e pouquíssimo tempo para que os candidatos apresentem suas propostas, intenções, devaneios ou simplesmente, suas ideias vazias, chega à reta final com uma semana recheada de debates. Finalmente será possível observar  Luciano Rezende, Amaro Neto e Lelo Coimbra numa disputa frente a frente.

A disputa entre Perly e André Moreira não vamos poder assistir porque as emissoras escolheram não convidar o candidato do PSOL para os debates. O PT agradece.

Entre os três principais candidatos, a propaganda eleitoral indica que tem coisa acontecendo:

Luciano segue sua batida de prometeu/cumpriu o que permite especular que a estratégia está funcionando.

Lelo Coimbra atira cada dia para um lado, com ataques a Amaro Neto e a Luciano e devaneios sobre uma suposta desorganização da cidade que exigiria sua atuação para "arrumar a casa", numa nada sutil apropriação do discurso eleitoral de Paulo Hartung.

Pelos lados de Amaro, tudo parecia calmo até os últimos dias quando a propaganda eleitoral ganhou um tom emotivo carregado, quase sombrio, cheio de menções a Deus e promessas de "cuidar do povo" ao lado das banalidades que já povoavam sua propaganda. É razoável especular que algo está acontecendo, que talvez os cerca de 30% de intenções de voto que o candidato exibiu nas pesquisas até agora estejam desmanchando no ar, à medida que eleição se aproxima.

Sem pesquisas, é preciso especular para tentar entender para onde caminha a eleição. E o comportamento dos candidatos nos debates vai ajudar a entender esse cenário, além de conhecer quem tem garrafa vazia para vender.

Serviço:


  • 25/09 domingo
    22h45 debate na TV Vitória
  • 26/09 segunda
    10h00 debate na rádio CBN
  • 29/09 quinta
    22h30 debate na TV Gazeta



quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Azarão com ares de favorito

Ninguém é mais azarão na política de Vitória que Lelo Coimbra. Mesmo tendo sido vice-governador, deputado estadual, secretário municipal e estadual, e sendo deputado federal, ninguém jamais apostou um real furado na candidatura de Lelo Coimbra. Era peça para ser retirada do tabuleiro quando a conveniência indicasse.

Mas Lelo persistiu, acredito que movido mais pela decisão pessoal de disputar que por qualquer outro motivo. E veio a saída de Luiz Paulo da disputa. E Lelo aproveitou a oportunidade, amealhou o que pode, e foi à luta. De início, deu um salto nas pesquisas e ganhou a atenção do eleitor.

Começou a campanha, e os candidatos foram posicionando suas postulações no tabuleiro eleitoral. E é aí que Lelo vem construindo sua vantagem. Ignorados Perly e André, que fazem uma particular disputa sem pretensões de vitória, a atenção fica entre Amaro, Luciano e Lelo.

O apresentador lança a campanha "vem ni mim!", com batidas no peito, lugares comuns e zero de propostas, zero de discussão. Parece até que é uma campanha para não ganhar, mas para lustrar a biografia do aprendiz de político populista e carreirista.

O prefeito Luciano Rezende não bate no peito, mas também não diz a que veio. Faz uma campanha de autoelogio, que anuncia a pleno pulmões que fez isso e aquilo, mas que não mostra o que vai fazer, nem onde falhou (aliás, a campanha sugere que nada há de falhas), nem o que vai fazer melhor. Ou diferente. A campanha do prefeito exige do eleitor um gesto muito difícil, o gesto de considerar que a administração Luciano Rezende foi ótima, excepcional, merecedora, só por seus méritos e brilhantismos, de uma reeleição.

Entre o nada e o tudo, a campanha de Lelo Coimbra encontrou um terreno fértil para desenvolver um discurso ponderado, com críticas incisivas e propostas com bom nível de objetividade (para uma campanha eleitoral). Falta isso, farei aquilo. Isso não está bom, assim fica melhor. Sem histrionismos e deixando o eleitor em posição confortável para aderir à ideia de que Vitória pode (e será) melhor.

Junte-se a isso tudo o embolado que a última pesquisa eleitoral mostrou. Está bem, há motivos históricos para ter suspeições dos números dessa pesquisa, mas ela está lá, é uma realidade irremovível, e temos um quadro com Lelo Coimbra embolando o jogo, crescendo para cima de Luciano Rezende e ensaiando uma arrancada na reta final.